15/06

9 Curiosidades do filme Carnaval de Salvador da Netflix que somente os soteropolitanos conhecem

Personagens do Filme Carnaval da Netflix

Embora o Carnaval não seja criação brasileira, foi aqui que essa festa teve grande repercussão mundial. Para sermos mais específicos, a Bahia foi o lugar em que essa folia criou raiz e tomou grandes proporções no modelo de se fazer o clássico Carnaval de rua, com muita animação e claro, com a corda e a pipoca. 

Neste mês o filme com o mesmo nome da festa foi lançado na Netflix e a gente aproveitou esse momento para trazer alguns pontos que conflitam com o verdadeiro Carnaval baiano

Leia a seguir 9 curiosidades do filme Carnaval sobre Salvador que somente quem é soteropolitano entende. 

O Enredo do filme Carnaval da Netflix

O filme gira em torno do maior carnaval do mundo que contagia a todos os participantes, o Carnaval de Salvador. E como é de se esperar, o longa aborda a cultura e a alegria da folia mais esperada do ano todo pelos foliões. Inclusive amplamente comemorada pelas amigas ao saber que viriam para capital da Bahia, afinal, quem não estaria nesse contagiante emoção?

A história começa contando sobre a vida de Nina (Giovana Cordeiro), uma influenciadora digital que está em ascensão e que tem um único objetivo no momento: chegar a 1 milhão de seguidores no Instagram. Um pouco antes de receber o convite para celebrar o Carnaval em Salvador em cima do trio elétrico do cantor Freddy Nunes (Micael Borges), a influencer descobre a traição de seu namorado e resolve sair da fossa no evento mais comemorado da Bahia. 

Nina então, resolve não receber cachê, e em troca, ter a companhia das suas três melhores amigas nessa aventura: a doce e sensível Mayra ( representada por Bruna Inocêncio), a nerd fã de Harry Potter, Vivi (representada por Samya Pascotto) e a espivetada e beijoqueira, Michelle (Gessica Kayane).

A única coisa é que essas meninas, apesar de terem personalidades muito diferentes, são muito amigas e têm muito em comum e não esperavam que essa folia ficaria marcada para sempre em suas vidas. Apesar de parte da história trazer pontos muito característicos de Salvador como a fé e a alegria, há também alguns pontos que não retratam de fato a cultura do baiano. Enfim, agora que já contamos um pouco da história do filme, vamos aos fatos. Confira aí. 

Curiosidades do filme Carnaval da Netflix que só baiano entende

1. Muitas gírias para um momento só!

O primeiro deles sobre o guia turístico. Esse profissional nunca vai chegar e jogar todas as gírias ditas pelos baianos no filme de forma aleatória, como Barril, Pega Nada, Guere Guere e Cabeça de Gelo. Aliás, muitas inclusive ficaram até sem sentido no contexto da conversa.

No filme Ó Paí, ó, como já comentamos num post passado (clique aqui), a linguagem é mais assertiva, sendo ela única e de uma maneira completamente fora do clichê de retratar figuras soteropolitanas.

2. Mais critério na escolha do personagem baiano

O baiano valoriza muito o seu povo e a cultura local, e foi escolhido um ator e cantor que não era baiano e que por isso, forçou muito o sotaque, o que transparece algo forçado.

Num perfil do Instagram muito conhecido por aqui, o Soteropobretano, mostraram através de um recorte de outro filme (Ó Paí, Ó) algumas falas que faltaram no filme Carnaval.

3. Cena que não retrata a realidade do país!

Ninguém dorme na praia de Salvador com bolsas, celulares, relógios, roupas de marca, infelizmente isso é arriscado e as pessoas poderiam ser assaltadas. Um mal que na verdade pode acontecer em qualquer grande cidade brasileira. No carnaval, o pelourinho também tem festa o tempo todo e não estaria vazio como mostra na cena que elas saem para conhecer um pouco mais da cultura local. 

4. Salvador não tem ainda teletransporte

Algumas das cenas desconsideram a distância real dos locais frequentados pelas personagens. Por exemplo, numa das cenas as personagens estavam na Praia do Porto da Barra - inclusive que fica em frente ao nosso hotel, e até a Praia do Forte, onde elas estavam hospedadas, são 87,5 km mais ou menos, ou seja, é impossível ir de mototáxi, como mostra o filme. Sem contar que para fazer esse trajeto é necessário pegar a rodovia e este tipo de condução é proibido de trafegar. 

Em um outro momento, quando a amiga de Nina se perde no Carnaval na Barra e vai parar no Pelourinho, os bairros não são tão pertos e ela nunca conseguiria chegar naquela fração de segundos, ainda mais no Carnaval, onde pegar condução, táxi, Uber ou mototáxi não é tarefa fácil. 

 

5. Locais e cenários diferentes da realidade

Alguns locais mostrados no filme são bem diferentes da realidade na Bahia. Por exemplo, o terreiro de Candomblé que eles entram no Pelourinho não fica, de fato, lá. 

Em outro momento, a protagonista Nina aparece no quarto do resort, em Praia do Forte procurando pelas amigas, liga, manda mensagens no celular e logo em seguida vai para a praia, dando a entender que ela estava na praia próxima do resort, quando na verdade ela está próxima do nosso Hotel, na praia do Porto da Barra, o que mais uma vez seria impossível pela distância de um pro outro. Mas pela licença poética do filme, está valendo. 

Além disso, Praia do Forte não possui prédios, quem já visitou a vila sabe que não tem edificações com 4 andares ou mais na localidade, principalmente perto do Tivoli, o que seria impossível elas visualizarem a piscina do Resort deste suposto “hotel”. 

Quer conhecer alguns locais para conhecer em Salvador durante o carnaval? Então leia esse nosso post clicando aqui.

6. Pouca Representatividade

Poucos atores negros no elenco principal como soteropolitano, somente o guia. Vale ressaltar que Salvador é a cidade da Bahia com o maior número de negros, portanto, poderia ter sido mais explorado este lado. 

7. Cadê a Pipoca?

Mostraram uma folia muito elitizada, somente camarotes, nada de corda ou pipoca. E o verdadeiro Carnaval baiano tem como um dos elementos principais a Pipoca que é o local onde a maioria dos foliões pulam e se divertem.  

“O termo “pipoca” é usado para o folião que não tem abadá de trio nem camisa de camarote e que curte a festa na rua mesmo, pulando como pipoca.”

8. Abadá ou Camisa?

Outra falha identificada no filme é quando as amigas chamam a Camisa do Camarote de Abadá. O Abadá para quem não sabe é um termo utilizado para quem vai passar o Carnaval em blocos, nome este que veio para substituir a fantasia da Mortalha e Camisa é o nome que se dá para festas fechadas ou para os  Camarotes. Muitas pessoas de fora de Salvador só conhecem pelo nome abadá.

9. Rótulos que precisam ser desconstruídos!

Em algumas partes do filme, dá a entender que o baiano é um sujeito atrasado. Por exemplo, a senhora que fazia customização de abadás que não sabia mexer na internet. Além disso, logo no início do filme, elas falam para o guia que o baiano é preguiçoso. Por isso, é necessário desmistificar esse rótulo de que o baiano é preguiçoso e atrasado.

Pontos Positivos do filme Carnaval

Se tem uma coisa que esse filme serviu foi para ser gatilho do Carnaval 2021 que não foi vivido. É importante a abordagem de assuntos como esses, mas é necessário estudar mais a cultura local para retratar algo mais coerente com a realidade.

Apesar de ter algumas falhas, o filme traz essa essência do Carnaval de Salvador, a sua alegria que contagia, a amizade, a música, o colorido, a diversão, além de mostrar os pontos turísticos da cidade, a cultura com a capoeira, a mistura de fé e aquele tempero que só a gastronomia baiana tem. Um outro fato importante é que o filme aborda um pouco das religiões de matriz africana, que além das Igrejas Católica, como o Bonfim, existem muitos centros de Umbanda e Candomblé.

Assistir o filme é legal, mas viver essa energia do Carnaval Baiano de perto é ainda melhor! 

E você, já assistiu Carnaval na Netflix? Siga as nossas redes sociais e conta para a gente o que você achou! 

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